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“Marinheiro das Montanhas”: Novo filme de Karim Aïnouz é aplaudido por 15 minutos em sua estreia

Filme estreou mundialmente no Festival de Cannes e é a quarta vez que um filme do diretor tem exibição no festival

“Marinheiro das Montanhas”: Novo filme de Karim Aïnouz é aplaudido por 15 minutos em sua estreia (Divulgação/Gullane)
“Marinheiro das Montanhas”: Novo filme de Karim Aïnouz é aplaudido por 15 minutos em sua estreia (Divulgação/Gullane)

O novo filme de Karim Aïnouz, “Marinheiro das Montanhas“, teve sua primeira exibição mundial na última sexta (9), no Festival de Cannes, como convidado da mostra Sessão Especial e foi ovacionado por 15 minutos pelos presentes.

O discurso de Karim após a sessão chamou atenção para o grave estado em que o Brasil se encontra por conta das ações do governo federal: “Não posso deixar de lembrar que, enquanto estou aqui celebrando com vocês, milhares de brasileiros estão morrendo por absoluto descaso deste governo fascista na condução da pandemia.”

Ele aproveitou também para destacar as dificuldades de se fazer cinema no Brasil: “A produção cultural em todo o país está quase totalmente paralisada, em um ato calculado de destruição imposto pelo governo federal. Hoje, o cinema brasileiro e toda a sua imensa cadeia produtiva enfrentam o desafio de sobreviver neste cenário”, disse Karim, após 15 minutos de aplausos da plateia presente na sessão.

KARIM EM CANNES

A relação de Karim com o Festival de Cannes é bastante forte. Dois de seus filmes tiveram estreias mundiais no festival: “Madame Satã”, de 2002, e “O Abismo Prateado”, de 2011. E, recentemente, “A Vida Invisível”, de 2019, foi o vencedor de Melhor Filme na Mostra Un Certain Regard, em um dos momentos mais celebrados do nosso cinema no festival.

MARINHEIRO DAS MONTANHAS

Karim declarou em entrevistas que se baseou na história de seus pais para escrever o longa, que é todo narrado por ele, através da leitura de uma carta para a sua mãe Iracema, já falecida, transformada no filme em uma companheira imaginária de viagem. Enquanto relata e comenta episódios da jornada, Karim reativa memórias familiares e revela os muitos sentimentos contraditórios que marcam o seu percurso.

A história é um diário de viagem filmado na primeira ida de Karim à Argélia, país em que seu pai nasceu. Entre registros da viagem, filmagens caseiras, fotografias de família, arquivos históricos e trechos de super-8, o longa entrelaça a história de amor dos pais do diretor, a Guerra de Independência Argelina, memórias de infância e os contrastes entre Cabília (região montanhosa no norte da Argelia) e Fortaleza, cidade natal de Karim e de sua mãe.

Marinheiro das Montanhas é um filme intimo, talvez seja o meu primeiro filme. O filme que sempre sonhei em fazer e que só consegui realizar muitos anos depois. Essa história de amor entre os meus pais habitou meu imaginário desde que eu me entendo por gente e de alguma forma transformá-la em filme foi o que me levou para o cinema”, contou Karim.