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“Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime” cansa pela repetição | Crítica

Sequência conta com elenco chamativo, com nomes como Morgan Freeman, Salma Hayek e Antonio Banderas, mas não empolga

"Dupla Explosiva 2 - E a Primeira-Dama do Crime" cansa pela repetição | Crítica (Divulgação/Paris Filmes)
"Dupla Explosiva 2 - E a Primeira-Dama do Crime" cansa pela repetição | Crítica (Divulgação/Paris Filmes)

POR ANGELO CORDEIRO

O público do cinema de ação ficou mais exigente depois que Keanu Reeves interpretou um assassino aposentado, que volta à ativa após a morte de seu cachorrinho. A franquia “John Wick” tem uma trama de vingança bem simples, mas são as coreografias que chamam atenção.

Com isso, muitos dos filmes de ação que têm sido lançados desde 2014 – ano de estreia de “De Volta ao Jogo”, título que o primeiro capítulo de “John Wick” recebeu por aqui – querendo ou não, acabam sendo comparados com um dos melhores do gênero dos últimos anos.

Injustiças à parte, “John Wick” acabou servindo para nivelar o gênero e mostrar que não é preciso uma história repleta de reviravoltas, vilões cheios de bordões e um protagonista engraçadinho para envolver o público. Basta ser bom naquilo que se propõe.

Considerando isso, quando o primeiro “Dupla Explosiva” foi lançado, em 2017, o longa trazia dois atores acostumados a personagens bem humorados: Ryan Reynolds, o Deadpool, e Samuel L. Jackson – preciso mesmo apresentar? -, e a união entre os dois foi irreverente, com ótimas tiradas, piadas no timing certo e sequências de ação empolgantes.

O que justificaria uma sequência para uma história que tem começo, meio e fim coesos? Logicamente, o lucro. E o primeiro filme foi muito bem nas bilheterias, arrecadando um montante quase cinco vezes maior que o seu orçamento de 30 milhões de dólares. Ou seja, “Dupla Explosiva 2” seria uma questão de tempo, certo?

E levou quatro anos para que “Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime” fosse lançado. Provavelmente, a pandemia de coronavírus atrasou o lançamento, e agora com o filme na mesa, ou melhor, nos cinemas, fica a impressão de que a sequência foi feita apenas na empolgação da bilheteria do primeiro.

A história segue os eventos findados no primeiro filme: agora sem licença, Michael Bryce (Reynolds) busca ajuda psiquiátrica para lidar com os traumas que o trabalho de guarda-costas lhe causou, até que acaba cruzando o caminho de Sonia (Salma Hayek, do ainda inédito “Eternos”), a esposa explosiva de Darius (Samuel L. Jackson), que o recruta em uma missão para salvá-lo.

Nesta trama absurda, o trio improvável acaba forçado a se unir em outra missão suicida para tentar salvar toda a Europa de um magnata poderoso e insano da Grécia interpretado pelo espanhol Antonio Banderas (“Os Mercenários 3”)!

No meio dessa mistura de sotaques, “Dupla Explosiva 2” vai cansando justamente por não se propor a nada além de repetir a mesma piada até o fim. Samuel L. Jackson e o seu “motherfucker” – ele parece estar em busca de algum recorde – e Salma Hayek beirando o insuportável por gritar todas as suas falas e tentar repetir o vocabulário sujo do personagem de Samuel.

As sequências de ação do diretor Patrick Hughes ainda rendem alguns momentos interessantes, pois são pesadas e apresentam uma sincronia com a trilha e os efeitos sonoros, fazendo com que seja divertido acompanhá-las. No entanto, entre uma cena de ação e outra, voltam as mesmas piadas, ora sobre os seios fartos de Salma, ora com Jackson e seus “motherfucker” e Reynolds reclamando da companhia dos dois.

O vilão de Banderas é tão mal aproveitado e aleatório quanto o vilão de Gary Oldman no filme anterior. A escalação de um ator desse porte só se justifica pelo que já foi dito aqui: puramente caça-níquel. Talvez os produtores quisessem atrair o público espanhol aos cinemas.

A coisa é tão descarada que até Morgan Freeman (da trilogia do Batman de Christopher Nolan) faz uma participação no filme. Embora bem humorada e, no mínimo, curiosa, a escalação do ator parece ser resultado do investimento de parte da bilheteria do filme anterior.

Em suma, “Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime” é um filme que tem uma trama batida, que não justifica a duração de quase 2 horas, embora saiba rir dos seus exageros e absurdos, rendendo alguns momentos de descontração. O que resta é torcer para que o Deadpool vá logo para o Universo Cinematográfico da Marvel e Ryan Reynolds pare com filmes assim.