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Indicado ao Oscar, “Meu Pai” surpreende até quem já lidou com o Alzheimer de perto

Longa está indicado em seis categorias na premiaçã, que acontece neste domingo (25)

Indicado ao Oscar, “Meu Pai” surpreende até quem já lidou com o Alzheimer de perto (Divulgação)
Indicado ao Oscar, “Meu Pai” surpreende até quem já lidou com o Alzheimer de perto (Divulgação)

Por Júlia Andrade

Um dos filmes com grandes chances de arrebatar algumas estatuetas no Oscar 2021, na noite deste domingo (25), é “Meu Pai“, uma produção sensível sobre um homem sofrendo com o Mal de Alzheimer.

Adaptação cinematográfica da premiada peça de teatro francesa “Le Père” (“Meu Pai”, em tradução livre), “Meu Pai” é dirigido por Florian Zeller, que também assina o roteiro ao lado de Christopher Hampton. Ambos já haviam trabalhado com o texto anteriormente: Zeller roteirizou “A Viagem de Meu Pai”, longa francês adaptado da peça e lançado em 2015; e Hampton traduziu “Meu Pai” para o inglês para a estreia nos teatros ingleses em 2014.

O longa centraliza no drama de um homem de 81 anos chamado Anthony (Anthony Hopkins), que resiste à ajuda da filha Anne (Olivia Colman) para lidar com sua velhice. Isso porque ela está de mudança para Paris com o namorado e precisa garantir que tenha alguém para cuidar de seu pai, diagnosticado com demência.

Nos primeiros instantes, “Meu Pai” parece um drama clichê para se afundar nas lágrimas, enquanto você tenta entender o tempo e espaço da trama. Até você perceber que o intuito da produção é justamente te levar para dentro da confusão mental do protagonista, vivido brilhantemente por Anthony Hopkins.

Tudo se passa dentro do mesmo apartamento, em Londres, onde Anne anuncia para o pai que irá viver na França e os acontecimentos parecem se embaralhar na mente do idoso depois dele saber disso. A sutil diferença de detalhes na ambientação entrega a mudança de cenário da história e a sensação de não conseguir identificar exatamente a lógica dos fatos te leva ao mais próximo da realidade de uma pessoa que perdeu parte da memória.

Como alguém que conviveu mais de 7 anos com uma portadora do Mal de Alzheimer debaixo do mesmo teto, digo que aflorei uma nova perspectiva da vivência dessa doença. A imersão na mente do protagonista, que o enredo proporciona ao espectador, chega a dar agonia.

Me peguei relutando para constatar a ordem cronológica dos acontecimentos e concluo que a desordem das entradas e saídas de personagens é propositalmente desgastante. Destaco a importância da entrega de Hopkins na cena final, em que o ator coroa uma atuação digna de um indicado ao Oscar, representando o seu personagem em um estágio mais avançado da doença.

“Meu Pai” foi nomeado aos prêmios de “Melhor Filme”, “Melhor Ator” para Anthony Hopkins, “Melhor Atriz Coadjuvante” para Olivia Colman, “Melhor Roteiro Adaptado”, “Melhor Montagem” e “Melhor Direção de Arte”.