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Do quadrinhos ao cinema: A sexualização da Viúva Negra

Primeiro filme solo da Vingadora estreia nesta quinta-feira (8), e deve corrigir a forma como a personagem foi retratada nos pultimos anos

Dos quadrinhos ao cinema: A sexualização da Viúva Negra (Divulgação/Marvel Studios)
Dos quadrinhos ao cinema: A sexualização da Viúva Negra (Divulgação/Marvel Studios)

POR CAMILA GOMES

Natasha Romanoff é um dos nomes mais conhecidos do Universo Marvel e acabou de ganhar seu filme solo, “Viúva Negra“, que estreou nesta quinta-feira (8) nos cinemas brasileiros. A atriz Scarlett Johansson fez sua primeira aparição no papel da espiã nos cinemas em “Homem de Ferro 2”, há mais de 10 anos, e mesmo na época o estúdio recebeu críticas por sexualizar a personagem.

Em uma das cenas do longa, Tony Stark (Robert Downey Jr.) pergunta a Pepper (Gwyneth Paltrow) quem é Natasha e ela responde: “Potencialmente, um processo de assédio sexual muito caro”. Em seguida, o empresário diz: “Eu quero um”.

Em entrevista à TIME, a produtora do filme, Victoria Alonso, revelou que nunca gostou desse diálogo no filme. “Isso me incomodou na época e me incomoda agora. Lembro de pensar: ‘Ela não é uma coisa.’ Mas é pertinente: o mundo vê uma mulher sexy e pensa que, porque ela é bonita, isso é tudo que ela tem para oferecer.”

Ela não foi a única integrante da equipe que ficou incomodada com o fato da personagem ser tratada como um “pedaço de carne”. “Talvez, naquela época, realmente parecesse um elogio. Sabe o que eu quero dizer? Porque o jeito como eu pensava era diferente”, disse Johansson durante conversa com o Collider.

De acordo com a atriz, que hoje tem 35 anos e é mãe, o filme solo da heroína vai ajudar a se distanciar do primeiro retrato hipersexualizado que ela teve nas telonas. “Tenho um entendimento sobre mim mesma muito diferente. Como mulher, estou em um lugar diferente da minha vida.”

“Isso me incomodou na época e me incomoda agora. Lembro de pensar: ‘Ela não é uma coisa.’ Mas é pertinente: o mundo vê uma mulher sexy e pensa que, porque ela é bonita, isso é tudo que ela tem para oferecer”, acrescentou.

Isso também foi notado pelos fãs nos pôsteres dos projetos que a artista participou. Enquanto nas imagens individuais, os heróis masculinos eram destacados para exibir sua força, Natasha sempre estava em posições que enfatizavam o corpo.

Mesmo nos quadrinhos, a Viúva Negra, que foi treinada por anos para ser uma assassina letal, foi objetificada. Diversas vezes a personagem foi tratada apenas como a namorada dos super heróis, teve suas qualidades resumidas a beleza e pelos uniformes de batalha decotados como um símbolo femme fatale.

Uniforme branco utilizado por Natasha nos cinemas e nos quadrinhos (Divulgação/Marvel)

Com a estreia do longa, essa imagem da espiã ficou definitivamente para trás com o esforço da diretora de “Viúva Negra”, Cate Shortland, para não repetir o erro. Assim, ela optou fazer piada da situação na história: “Decidi que era importante apontar isso. Queria permitir que o público estivesse consciente do que estava vendo, e do que viu nos filmes anteriores”, disse em entrevista à TIME. “Natasha foi uma personagem criada para o olhar masculino. Inicialmente, mesmo a forma como ela se mexia, e a forma como se vestia – tudo isso foi útil como um ponto de apoio para lançá-la, mas não era sua identidade”.

“Quando você olha para Homem de Ferro 2, por mais que tenha sido bem legal e com momentos ótimos, Natasha é tão sexualizada. Falam como se ela fosse uma posse ou coisa. E, na época, isso soava como um elogio. Demorou um bom tempo para eu realizar o meu valor contra esse tipo de comentário. Está mudando. Agora, jovens garotas recebem uma mensagem bem mais positiva, mas está sendo incrível participar dessa transição e sair do outro lado dessa história, com progresso. Evolução é muito bom”, disse Scarlett ao ScreenRant.